setembro 23, 2003

Rotulos nas pessoas e porque já me acharam Homossexual

Antes de tudo esclarecer que sou heterossexual e que nade me move contra homossexuais e lésbicas, cada um escolhe a sua maneira de amar e ser feliz.
Tudo isto vem a propósito da facilidade com que se dá rótulos a pessoas que pensem ou ajam de maneira diferente da nossa.
A primeira vez que senti o que era ser rotulado foi por volta dos meus 16 anos, até parece uma outra vida, a primeira grande paixão da minha vida (morena de olhos verdes!) tinha acabado o namoro, por segundo ela, não ter tempo para namorar e ter que se dedicar aos estudos, e andar por andar não valia a pena. A partir daí estive sem namorar durante 2 anos. Era habitual eu sair com 3 primos meus ao fim de semana, diziamos que eramos os 3 mosqueteiros, pois estes na verdade também eram 4.

Dois deles todos os fins de semana arranjavam uma namorada diferente, eu que era o mais velho de todos não arranjava ninguém, talvez escolhesse demais ou talvez não quisesse aventuras de 4 horas. Pouco tempo depois o grupo alargou-se com a inclusão de 4 primas afastadas, o numero coincidia, mas as paixões não. Mas nesse entretanto um primo meu timido e recatado como eu apaixonou-se por uma das nossas primas, por acaso a que eu simpatizava mais e procurava ver se ela se interessava por mim. Quando o meu primo me contou que estava apaixonado eu senti-me dividido, deveria ir atrás dela ou deixá-la para ele. Numa tarde em que estudava com o irmão dela que tinha a mesma idade que eu, resolvi abdicar dela, e levei-a a dar uma volta de motorizada, após o que lhe disse que apesar de simpatizar muito com ela, que não estava interessado nela, o que era mentira, e abri assim caminho para o meu primo, mais tarde soube que o irmão, ela e as minhas primas tinham ficado surpreendidos com a minha acção, especialmente porque a minha prima ainda não se tinha decidido entre mim e meu primo, sim, ela estava interessada no dois, e o primeiro que se declarasse tinha um sim. Olhando para o que lhe aconteceu mais tarde talvez fosse melhor ela ficar comigo, mas não se pode mudar o passado.
Mas esta atitude junto com a delicadeza, sensibilidade e cavalheirsmo com que sempre tratei as mulheres levou a que durante o ano seguinte se criasse uma ideia, dentro do grupo de conhecidos que se tinha alargado a perto dumas 20 pessoas, descobri-o quando voltei a namorar, a rapariga a quem eu me declarei depois de um slow ficou surpreendida pois tinham-lhe dito que eu era maricas (expressão ainda hoje mais utilizada para designar homossexuais), eu na altura fiquei com ar apalermado, esperava udo menos aquela, depois ri-me, depois fiquei chateado, na altura o rotulo que me tinham posto de maricas era muito pior que hoje, enquanto hoje em dia se discute com à vontade a homossexualidade, naquele tempo ainda era bastante discriminante. Foi nessa altura que percebi os risinhos de certas raparigas, o ar superior de certos rapazes e um certo afastar de outros. Na altura percebi perfeitamente o que passavam as pessoas a quem tinham sido colocados rotulos.
Ouvi alguns dias atrás colocarem-me outro rotulo, chamaram-me nortenho como se fosse algo humilhante, esquecem-se é que eu tenho muito orgulho em ser nortenho, mas chateou-me o colocarem rotulos, como preto, maricas, vaca etc.
Sei que estes rotulos estão associadas à discriminação, ao racismo, e isso irrita-me. E quando me dizem que os portugueses não são racistas tenho que me rir. Somos, só não somos é tão extremistas como noutros países. E somos racistas entre nós, entre homens e mulheres, entre novos e velhos, entre heterossexuais e homosexuais, entre Lisboa e o norte. E os rotulos são uma consequência desta maneira de estar na vida.
Ainda hoje respeito muito quem toma opções diferentes, quem tem mais dificuladades para levar a vida, por uma ou por outra razão.
E ainda me recordo da altura em que senti o efeito do rotulo que me tinham colocado. Mas assumo o que me colocam agora, sou nortenho com muito prazer como se me quiserem colocar o rótulo de velho, ou homossexual, não tenho medo deles mesmo que fossem verdadeiros, mas deploro a discriminação associada.

Publicado por firewind em setembro 23, 2003 03:41 PM
Comentários

Que espectáculo! Deviam-te pagar uma fortuna pelo poema 58, é algo de espectacular!!! És um kerido, vê-se e lê-se... Continua assim! Mil beijos de uma grande fã!

Afixado por: Catarina em outubro 8, 2003 11:57 PM

Para nortenho na tá mal (brincadeira!). Agora imagine-se como é a vida de um jovem que é *realmente* homossexual. É que ao contrário do que afirma hoje em dia ser homossexual não é assim tão diferente do que era há uns anos principalmente para quem não vive em Lisboa ou Porto. Só uma notazita: ser homossexual não é uma "opção", mas sim uma "orientação sexual". Os homossexuais gostam de pessoas do mesmo sexo, pelos mesmo mecanismos que um heterossexual gosta de pessoas do sexo oposto, não acorda um dia e opta por mudar...

Afixado por: Casal Gay em outubro 24, 2003 07:57 PM