setembro 23, 2003

Ciumes: Porque os sinto?

Porque sinto ciúmes? Porque é que os ciúmes nos afectam tanto? Quando era pequeno senti pela primeira vez ciúmes, foi num natal, já agora eu faço anos no dia seguinte ao natal (26), como de costume toda a família do lado do meu pai se tinha reunido na casa de um dos irmãos. Eramos sempre para cima de 30 pessoas. Grande parte eram os filhos, meus primos, miúdos mais novos ou mais velhos do que eu, mas sem grande diferença. No dia 25 esperava-se pela meia noite e cantavam-se os parabéns pelos meus anos. Enquanto fui muito pequeno não reparei que nunca tinha prendas no meu dia de anos, tinha ainda as do Natal para brincar. Até que nesse Natal, senti ciúmes. Tinha recebido menos prendas que os meus primos mais próximos na idade, na altura uma pessoa não distinguia o valor das prendas, mas até por aí ficava a perder, dos meus pais tinha recebido o mesmo numero que os pais dos meus primos lhes tinham dado, mas alguns tinham-se esquecido de me dar prendas. Na minha santa ingenuidade, pensei que as estavam a guardar para os meus anos, mas não, foi também o primeiro natal em que grande parte deles não esperou no dia 25 para me cantar os parabéns. No dia seguinte 3 dos meus primos foram comigo festejar os meus anos e enquanto eles falavam das prendas, eu senti algo muito forte dentro de mim, uma raiva enorme, uma vontade de fazer algo para os calar, na altura não percebi que tinha ciúmes e inveja deles, das prendas que eles tinham recebido, de eles não fazerem anos no Natal e por isso terem prendas duas vezes no ano, e amaldiçoei o dia 26.

Com o passar do tempo passei a ter ciúmes doutra maneira, daquela rapariga de quem eu gostava mas que não me ligava e preferia andar com outro. Ou doutra que se divertia a brincar com os meus sentimentos e que me trocava sempre que lhe apetecia. Ou sentir ciúmes do namorado de alguém que eu gostaria de poder abraçar e vê-lo a ele fazer isso. Ou quando a nossa paixão dá mais atenção a um homem amigo do que a nós, estes são os piores, é evidente que muitas vezes exageramos no que pensámos e isso pode ser mau. Eu quando tenho ciúmes fico irritadiço, chato, desatento, sem paciência, mas quando estou junto da pessoa de quem tenho ciúmes ela dificilmente notará, e máximo que passará será uma leve irritação. Também aprendi que com o amor vêm sempre os ciúmes, estes nascem da insegurança que todos temos em relação a nós e à nossa relação com o resto do mundo. Quando me dizem que amam alguém e não sentem ciúmes eu acho impossível, ou são muito narcisistas ou enganados. Acho que todos quando amamos sentimos sempre algo, em alguma situação, senão não amámos, gostamos simplesmente. Porque quando alguém me diz "eu tenho a certeza de que não tenho ciúmes, e que amo a minha mulher", é alguém que não ama ou que só se ama a ele próprio. Sentimos sempre ciúmes, pequenos grandes, eles estão lá. Cabe-nos a nós lidar com eles, algumas pessoas não lidam bem com eles, sobretudo as mais inseguras, e algumas vezes estes levam a extremos deploráveis. Eu acho que uma relação em que nenhum tenha a certeza do que tem, mas tudo dentro do razoável é óptimo para a relação. Ajuda a manter a paixão, é evidente que ciúmes exagerados destroem as relações. Como tudo na vida há um ponto de equilíbrio, e cabe-nos a cada um descobri-lo. Eu consigo descobri-lo e mantê-lo. Porque acima de tudo sinto mais o amor, e esse é mais importante. Sintam ciúmes, mas sintam mais o amor.

Publicado por firewind em setembro 23, 2003 12:43 PM
Comentários

Bem visto... nunca tinha visto isso assim... a partir de hj vou tentar lidar com as duas coisas

Afixado por: Cuthalion em fevereiro 4, 2004 10:53 PM

É verdade que temos de dar muito mais valor ao AMOR que ao CIÚME, mas que ter ciúmes é inevitável isso é uma certeza... se gostamos da pessoa, é claro! O medo de que essa pessoa nos possa enganar ou esconder qualquer coisa é um pensamento horrível e que por vezes ganha um poder que nem nós próprios conseguimos conter. Também é verdade que por vezes se escondem coisas só para não fazer sofrer a outra pessoa, coisas essas insignificantes que não pôem em risco algum a relação(eu faço isso)mas se se descobre, o sentimento de engano/traição supera qualquer pensamento de "Só me estava a proteger..." Enfim, mais uma vez temos de aprender a lidar com mais uma das situações "esquisitas" com que nos deparamos na vida. O que interessa, é que temos de aproveitar todos os momentos felizes, em vez de dar muita importância às "minhoquices" da nossa mente. Eu sei... fácil de falar, mas difícil de seguir...

Afixado por: Patrícia em abril 21, 2004 11:48 AM